Caminhos

maio 17, 2017
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As vezes a vida prepara caminhos difíceis porque você precisa aprender a crescer por si só.
Porque você precisa aprender a se desvincular do útero materno, do abraço paterno e cafuné da vovó.

A vida não vai ser sempre fácil, na verdade, ela vai fazer de tudo para ser difícil. Complicada. Incompreensível. Mas não se revolte, não pense que é somente com você. Não é. E isso é bom. Ela faz isso, não porque é ruim mas porque é de sua obrigação, de sua essência.

Ela tem a obrigação de te fazer crescer e aprender com cada experiência, e tem que ser sozinho. Sem ajuda, sem mertiolates para curar as dores. Seja dos tombos ou corações partidos.

Aposto que ela também sofre vendo seu sofrimento, mas sabe que é o melhor que pode fazer para seu crescimento.Ser difícil é a forma que ela tem de te dizer: “Ei, acorde. Sou tão dependente de algo quanto você. Porém aprenda comigo a seguir assim, sozinho mesmo rodeado de pessoa, algumas significantes outras nem tanto.”

E você, no fundo sabe  que é  verdade. Mesmo rodeado de pessoas, em algum momento vai ter que seguir por si só. Suas escolhas, são apenas suas. A vida é apavorante. É como um ringue em que você entra para apanhar, perder e na hora certa sair vencedor.

Cheia de caminhos espinhosos, turbulentos com ondas tão altas que faz você se sentir minúsculo. Aprenda com esses caminhos que a vida te coloca, no fim as belas rosas aparecem, a turbulência cessa e as ondas se acalmam.

Então você percebe que apesar de difícil, a vida é simples e de presente ela te dá alguém ainda mais belo que as rosas encontradas no caminho e tudo fará sentido e você não se sentirá mais tão só.
A vida te abrirá um sorriso, te fazendo perceber que tudo o que foi enfrentado valeu a pena.  Você irá reconhecer esse sorriso como aprendizado e amor.


Luz e Escuridão

maio 11, 2017
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Caminhando pela vida,
cruzando com almas perdidas.
Vagando inutilmente a procura de algo,
que provavelmente não acharia.
Mas foi numa dessas esquinas emblemáticas,
que eu acabei encontrando a luz que procurava.
A gente se cruzou por instantes, mas percebi que
o maior milagre da vida foi termos nos encontrado
e gostado.
Gostamos, nos amamos.
Loucamente, inesperadamente.
Como pode aquilo ter acontecido?
Teu jeito, teu cheiro, teu toque.
Tudo em você me fazia enlouquecer.
Era como se meu corpo implorasse por ti.
Um vulcão adormecido, despertou e a causa?
Você.
Passei dias, meses e anos queimando em amor.
Então aconteceu o algo ainda mais inesperado,
apenas para mim.
Infelizmente.
Depois da erupção, você não aguentou.
Então...
Você me acendeu e me apagou.
Da mesma forma e da mesma intensidade.
Como pode isso acontecer?
Como pode alguém inesperado te iluminar
e após te deixar na escuridão?
Não sei, recebi como resposta.
Mas você o fez.
Acendeu a faísca,
viu o circo do meu peito pegar fogo,
mas não soube suportar e então....
Partiu.
Deixando minha floresta,
nua,
crua
e morta.


Imensuráveis palavras não ditas

abril 17, 2017


Tenho imensuráveis coisas a dizer.
Imensuráveis palavras.
Todas elas para você.
Sobre você.
Mas não sai.
Estão presas.
Enjauladas.
Garganta.
Coração.
Alma.
Acorrentadas como bichos selvagens 
que ao serem soltos podem fazer estragos.

Quero falar.
Quero dizer.
Pra você.
Pro mundo.
Mas não sai som algum.
Você não escuta, não quer escutar.
Então, te escrevo.
Essa é minha forma de falar.
Meus sentimentos.
Meu único jeito de demonstrar.

Tem pedaços seus em cada verso meu.
Tem pedações seus,
em cada frasco de pensamento meu.
Errei em não dizer.
Errei em não falar.
Errei ainda mais em não tentar.
Agora fico aqui.
Acumulada de palavras por dizer.
Imensuráveis.
Incontáveis.
Transbordando
e me afogando.
Por dentro.
Em mim, mas por você.

Queria te dizer.
Queira um chance.
Mas não sai.
Não posso.
Então te guardo no peito 
e nos meus versos.
Com minhas imensuráveis palavras não ditas...
Te digo.
Em resumo.
Tô aqui.
Tô transbordando você.
Tu fez florescer onde eu achei,
que mais nada seria capaz de brotar.
Minhas palavras, não ditas.
Dizem mais do que tu possa imaginar.




Dedo de prosa: Vem cá

abril 07, 2017
 :


Vem cá.
Senta aqui do lado. 
Me deixa te falar...
Que sempre fui meio assim.
Não sei.
Do tipo,
deixa pra lá.

Mas isso, não quer dizer que deixei.
De sentir
Querer
Desejar
e ter.

Vem cá,
Me deixa te mostrar
que onde parece ser pedra,
na verdade é flor.
Não a rosa mais linda do jardim,
mas de um mistério sem fim.
Flor com espinhos, 
talvez de cacto.
Que parece estranha, 
mas tem seu valor.

Me deixa transbordar.
Do meu jeito.
Calma.
Simples.
E devagar.
Sou demais no sentir
Porém de menos em mostrar.
Gosto das entrelinhas,
Do conquistar.
Tenta se acostumar.
Me ensine a te ganhar.

Vem cá,
‘Me pega
de prosa
Me tira
da fossa’
Me ajuda a amar. 


O enxergar através do Plano Detalhe

abril 06, 2017
Pinterest: Rafaela Abreu ♡:

Para ler ouvindo: Em Paz - 5 a Seco e Maria Gadu.

Em uma das minhas aulas da faculdade, eu aprendi um pouco mais sobre enquadramento, posições e ângulos da linguagem cinematográfica. Lembro-me de como fiquei encantada e interessada, principalmente, pela forma em que a escolha de um certo enquadramento pode vir a mudar ou dar diferentes sentidos e significados em uma cena.

O chamado plano geral (PG) é normalmente o mais usado por inciantes. Claro, por ser o mais simples. Prático. Porém, o plano que sempre me interessou e me deixou instigada é o detalhe, ou PD. Em uma cena, por exemplo, um livro com uma página especifica aberta ou uma simples mordida de lábio podem ser sinais para todo o resto da construção de uma história. Talvez aquela página aberta, mostrada em detalhe, seja sinal para desvendar um mistério. E aquela mordida de lábios sutil, seja a forma da "mocinha" se entregar ao seu amor. Se não fosse esses detalhes, muitas vezes imperceptíveis, no plano geral, a história não seria construída da forma desejada. E tudo ficaria por isso mesmo. Sem sentido.

Você deve estar se perguntando. Por que ela está escrevendo sobre enquadramentos, planos e cenas? Por que não deixar esses assuntos apenas para as produções cinematográficas? Porque a vida é um filme. O nosso filme.
Enquadrar não é algo referente somente a linguagem cinematográfica. Fazemos isso com a vida. Escolhemos planos e ângulos para enxergar e perceber o mundo. As coisas. As pessoas. 
A maioria cria sua percepção através, apenas, do plano geral. Eu não. Tento perceber tudo pelos detalhes. Detalhes fazem toda a diferença. 

Imagina a seguinte cena. Um rapaz, em uma festa. Muitas mulheres, nessa mesma festa. Olhando através do plano geral, ele enxergará essas mulheres. Altas, baixas, bonitas, alegres... mas de algum, ele as verá de forma comum. Apenas mulheres em uma festa. Porém, se ele perceber a mesma festa através dos detalhes. Ele vai conseguir perceber a mulher que está ali por estar, a que prefere comer ao se relacionar e aquela que está no canto, quieta, observando-o de forma sutil. E no momento que a olhou, pelo detalhe, percebeu o sorriso lateral mais lindo que já viu, antes interceptável em plano geral. Percebendo ali, que aquela poderia ser "A Mulher". 

Como disse, o mundo é construído nos detalhes. 
Um casal pode transparecer completa felicidade, amor e carinho, no geral. E no detalhe... estarem infelizes. Uma pessoa pode parecer distante, fria e ate um pouco sem sal. Mas se você conseguir olhar os detalhes, pode enxergar a imensidão de sentimentos existentes e guardados nela. 
Ter uma visão geral do mundo. Das coisas. E principalmente das pessoas é importante. Mas os detalhes....
Ah, os detalhes...